Midiáticos ou tradicionais: o que querem os eleitores nas redes sociais dos políticos?

Depois que políticos descobriram que as redes sociais podem ser utilizadas para mobilizar militantes e eleitores, uma verdadeira corrida maluca começou com o objetivo de conseguir o maior número de apoiadores e de aprovação em suas publicações. A motivação da corrida é evidente: convencidos por resultados esporádicos, quando políticos tradicionais ficaram sem cadeiras enquanto novatos midiáticos foram eleitos, entendem agora que resultados virtuais em redes podem se transformar em votos suficientes para vencer uma campanha eleitoral, transformando a comunicação política em uma espécie de reality show.

A internet é apenas para os midiáticos? Como ficam os políticos tradicionais?

De fato, se a comunicação na internet for bem planejada, primeiramente sendo usada para encontrar e entender públicos sinérgicos às propostas e valores morais dos candidatos; depois para estabelecer relacionamento por meio da entrega de conteúdos que criam empatia e motivam eleitores e; por fim, ajudando-os na mobilização para a efetivação do voto, bem como, no combate à disseminação de notícias falsas e ataques, os canais digitais podem ajudar a todos os que buscam vencer uma eleição.

Perfil dos novos deputados eleitos

Ocorre que não há somente um caminho para chegar a bons resultados, até porque existem circunstâncias únicas em cada disputa. Quando olhamos a nova safra dos deputados federais, podemos ver uma lógica ao analisarmos a lista dos 15 mais votados do país.

Salvo poucas exceções, a maior parte ficou conhecida pelos eleitores ao fazer uso das redes sociais, por meio de vídeos e posicionamentos críticos ao governo, não tendo um trabalho partidário por trás, nem histórico na política, baseando suas reputações em controvérsias e polêmicas.

O que favorece o surgimento desses novos campeões de votos, que anteriormente eram ocupados por postulantes tradicionalmente conhecidos na política, são os algoritmos das redes sociais, principalmente Facebook e Instagram, e a facilidade da propagação de conteúdo por meio de ferramentas como o WhatsApp.

Para as plataformas de redes, quanto mais os usuários interagem com conteúdos, ainda que de forma oposta, amando ou odiando, melhor os conteúdos são qualificados e exibidos para um número maior de pessoas. O intuito das redes sociais é fazer com que os usuários permaneçam conectados pelo maior tempo possível, então, de forma mecânica, exibem conteúdos que geram recompensas emocionais ou ativam a vontade de interação, com elogios, críticas ou compartilhamentos.

ícone de like do facebook para representar políticos nas redes sociais

Os rankings feitos por agências de comunicação evidenciam a lógica perversa de exibição de conteúdos. Como levam em consideração o que chamam de “engajamento”, os políticos mais bem posicionados não necessariamente são parlamentares com atuação propositiva, nem eficiente, mas são ótimos na criação de polêmicas.

A verdade é que essa “roupa” não serve para a maioria dos políticos brasileiros, que têm em suas atividades pautas menos ácidas e comportamento mais ameno, em comparação aos de seus colegas midiáticos.

Políticos tradicionais erram ao “copiar” fórmula dos midiáticos

Ao verem apenas números, sem se importarem com as práticas que levam a tais resultados, políticos “tradicionais” querem o mesmo engajamento dos “midiáticos” e é aí que começa a corrida maluca que citei no início deste artigo.

Nisso entram a multiplicação de transmissões ao vivo de dentro do plenário, as famosas “selfies” em situações do cotidiano, as fotos com frases motivacionais, o uso indiscriminado de memes e os vídeos produzidos puramente para entreter.

Na maioria dos casos, a adoção desses atos comunicacionais mais transparece a falta de entendimento do que significa estar em uma rede social e do que os eleitores esperam deles.

Para os “midiáticos” todas as situações acima expostas são válidas, até porque conquistaram reputação por esse caminho. Já para os “tradicionais”, a sensação produzida na maioria dos eleitores é mesma que temos quando vemos o “tio do pavê ou pacumê?” querendo andar de skate e usar gírias atuais.

Claro, há sempre os iludidos que enxergam nos likes das publicações a aprovação do eleitorado, mesmo que em uma proporção minúscula em relação ao número total de seguidores nas redes.

Fiz um teste usando o meu perfil no Instagram e que sugiro a todos que usam a ferramenta. Em uma enquete perguntei qual conteúdo gostariam de ver publicados com mais frequência e o resultado não me surpreendeu. Para 95% o foco das publicações deve ser dicas profissionais sobre marketing político e apenas para 5% eu deveria publicar mais conteúdos relacionados a minha vida pessoal.

Fica a minha provocação: o que um eleitor quer encontrar nas redes sociais de alguém que elegeu? Trabalho ou vida pessoal? Provavelmente os resultados serão diferentes de acordo com o perfil do político, seja ele midiático ou tradicional.

Viu só como é importante melhorar seus conhecimentos sobre narrativas, ferramentas e redes sociais? O Guia do Marketing Político tem diversos conteúdos que podem te ajudar nesse caminho.

Confira o vídeo que gravei para você:

 

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Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político. Costumo enviar conteúdos de comunicação e marketing político por WhatsApp. Caso queira receber, basta adicionar o meu número (61) 99815-6161 na sua lista de contatos e me mandar uma primeira mensagem com seu nome.

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