O que o eleitor conectado quer?

O eleitor conectado, que busca informações sobre a política e as eleições na internet, não quer se relacionar com os candidatos nas redes sociais e está mais interessado em propostas do que em frases motivacionais.

Esta afirmação é resultado de uma pesquisa feita por meio de questionário digital realizada pela Presença Online, que ouviu 1271 pessoas entre os dias 15 e 19 de agosto de 2014.

O perfil do eleitor que usa a internet para buscar informações sobre as eleições está longe dos estereótipos. O eleitor conectado não fica alienado na internet e tem o hábito de se informar por meios impressos e pela televisão. A maioria deles não se considera nem de direita, nem de esquerda, não segue um partido e vai definir seu voto com base nas propostas e no histórico dos candidatos. Leia mais detalhes sobre o estudo a seguir.

A maioria desses eleitores não usa apenas a internet para se informar sobre a política. Dentre os entrevistados que afirmaram usar a web para se atualizar sobre o tema, apenas 11,5% disseram que essa é a sua única fonte de informações. O principal veículo de mídia complementar é a televisão, citada por 67,83% dos entrevistados. Em seguida aparecem os jornais (53,36%) e as revistas (35,48%).

Uma observação repetida frequentemente sobre a ascensão das redes sociais é que a informação proveniente de amigos passou a ter mais peso do que aquela vinda dos meios tradicionais, mas a pesquisa mostra que isso não se reflete na maneira como os eleitores conectados fazem suas escolhas. Somente 29,83% citam amigos como fonte de informações a respeito do assunto.

Em último lugar aparece o horário eleitoral gratuito, citado como fonte de informação por apenas 21,93% dos entrevistados que usam a internet para se informar sobre política.

Web não é recanto de militantes

A maioria dos eleitores conectados disse não ter uma afinidade partidária em particular. 62,85% dos entrevistados se definiram como apartidários, enquanto 8,29% disseram não saber afirmar se seguiam algum partido. Apenas 28,84% dos entrevistados se definiram como partidários e disseram seguir explicitamente uma legenda na política brasileira.

Quanto à posição política e ideológica dos entrevistados, novamente vê-se que a composição desse público é bastante heterogênea. O maior grupo, composto por 30,04% dos entrevistados, afirma não ter ou não saber definir a sua posição política, enquanto 14,37% disseram ser de centro.

As posições de esquerda e direita, indo do centro até o extremo, apareceram bem equilibradas, com pequena vantagem para a esquerda. 26,91% dos entrevistados disseram ser de direita, centro-direita ou extrema-direita, enquanto 28,66% se definiram como esquerda, centro-esquerda ou extrema-esquerda.

Público está interessado e quer propostas

A absoluta maioria dos entrevistados que afirmou usar a internet para buscar informações sobre política disse ter interesse pelo tema, somando um total de 97,97%. Deste grupo, 72,90% afirma acompanhar as notícias sobre política com frequência.

Questionados sobre o que gostariam de ver no canal oficial de um candidato na internet, os eleitores conectados deixaram claro que as estratégias adotadas por muitos políticos estão indo na direção errada. As propostas de campanha (87,64%), o histórico e a trajetória do candidato (76,95%) e as opiniões sobre os temas atuais (75,48%) foram citados como os conteúdos mais desejados pelos entrevistados quando visitam o canal de um candidato. Na outra ponta, aparecem entre os conteúdos menos desejados as já célebres frases motivacionais (4,60%), as fotos de campanha (7,37%), o material de campanha (15,20%) e a agenda de campanha (17,05%).

“Bom dia” no Twitter e no Facebook não rendem votos

Na última parte do questionário, os entrevistados foram convidados a indicar quais atividades e conteúdos têm influência decisiva na definição do seu voto, e novamente tendências bastante comuns entre os políticos brasileiros apareceram entre as atividades menos relevantes para conquistar o voto do eleitor. A interação com os eleitores nas redes sociais, que se tornou um lugar comum na presença digital de muitos candidatos, é considerada relevante do ponto de vista eleitoral por apenas 5,62% dos entrevistados.

Em meio a uma eleição que parece estar sendo disputada dentro do Facebook, a indicação de amigos surpreendeu negativamente ao ser citada por somente 11,61% dos eleitores conectados. A presença e participação do candidato nas redes sociais (12,35%) e os comentários sobre ele feitos por terceiros na web (12,71%) foram considerados relevantes apenas por uma minoria.

A maior parte dos eleitores conectados ouvidos pela pesquisa deixou claro que o que vai definir o seu voto nesta eleição são as propostas (85,52%) e o histórico e trajetória do candidato (89,03%). As notícias sobre o candidato que aparecerem nos jornais, na televisão, nas revistas e na internet também terão um papel importante, sendo citadas por 56,58% dos entrevistados.

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político. Costumo enviar conteúdos de comunicação e marketing político por WhatsApp. Caso queira receber, basta adicionar o meu número (61) 99815-6161 na sua lista de contatos e me mandar uma primeira mensagem com seu nome.

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