5 pontos estratégicos da comunicação política

Com a redução no tempo de campanha oficial para 45 dias, a pré-campanha passou a ser fundamental para o sucesso dos candidatos na eleição. E como fazer a mensagem chegar de forma redonda para os eleitores? É possível atribuir um bom engajamento a um post ou vídeo seguindo 5 pontos estratégicos da comunicação política.

Informação, Entretenimento, Ideologia, Direção e Propósito são primordiais para que seu candidato vença a eleição, por isso você precisa colocar em prática o quanto antes.

Para conquistar o voto é preciso chegar ao coração dos eleitores de forma objetiva. E a melhor forma de conquistar a empatia é envolvendo quem está do outro lado em uma história. E em primeiro lugar, você deve avaliar qual história deve ser contada.

Antes de decidir o que tornar público, se pergunte: a informação é de utilidade pública? Essa informação será importante para quem?

Tomemos como exemplo a inauguração de um posto de saúde. É importante deixar claro quantas pessoas serão beneficiadas e quais serviços que serão oferecidos, bem como os médicos especialistas que estarão ali para atender a população.

O segundo ponto que precisamos esclarecer é o caráter de entretenimento da comunicação. Hollywood está aí para comprovar que a melhor forma de entreter é contar uma história.

Ao decidir se o tom da comunicação será dramático ou o oposto, você precisa criar uma boa história. Eu, você e quase todo mundo que a gente conhece conta histórias o tempo todo. Mais do que números e informações complexas, as pessoas querem sentimento, emoção.

Voltando para a inauguração do posto de saúde, por que não explicar de onde surgiu a demanda do posto, contando uma história verdadeira?

Não é exagero dizer que quase todos os políticos já receberam pedidos de moradores solicitando a construção de um posto em determinado bairro. Qual o problema de envolver o eleitor numa boa história para relembrar de onde surgiu a ideia de destinar recursos para a construção?

Assim como o grande mestre Nelson Mandela, acredito que quando falamos para alguém na sua própria linguagem, a mensagem chega diretamente ao coração. A frase atribuída a ele ao pé da letra é essa daqui:

“Se falares a um homem numa linguagem que ele compreenda, a tua mensagem entra na sua cabeça. Se lhe falares na sua própria linguagem, a tua mensagem entra-lhe diretamente no coração”.

Ideologia, você precisa de uma para sobreviver

Parece mesmo que os tempos de ideologia política ficaram para trás. Nascida em 1989, confesso que já não peguei essa fase, mas há quem diga que nem sempre foi assim.

O fato é que vemos hoje que partidos e políticos perderam a identidade, deixando qualquer ideologia de lado para priorizar interesses próprios. A ideologia é um dos pontos mais importantes, e o que menos vemos hoje. Sabia que esse fator pode estar diretamente ligado à sua queda de engajamento?

Pense comigo: as pessoas tendem a se engajar em causas, certo? Portanto, hoje com a grande variedade de partidos, afinal são mais de 35, o que vai diferenciar o discurso de um para o outro é o componente ideológico.

Um dos grandes desafios do candidato na pré e na campanha é ativar militantes. Quando criamos um conteúdo sem planejamento, sem que a ideologia fique clara, é impossível ativar a militância para combater uma crise no momento crucial da campanha.

Desafie o militante a vestir a camisa

No entanto, quando você demonstra desde o primeiro momento que existe uma conexão com os apoiadores, reconhecendo a importância deles para o sucesso da disputa, eles se sentirão desafiados a vestir a camisa e combater toda sorte de boatos.

Vamos analisar, por exemplo, de dois deputados federais em exercício, Jean Willys (PSOL-RJ) e Jair Bolsono (PLS-RJ). Na mesma proporção em que um faz um discurso de direita, conservador e militar; o outro eleva o discurso de esquerda e liberal.

Enquanto Bolsonaro tem 5.393.031 curtidas na fanpage do Facebook, Willys tem 1.237.287, quatro vezes menos seguidores que o pré-candidato à presidência. Ainda sim, a grande semelhança entre os dois é que ambos possuem um grande domínio sobre a militância. Sempre que necessário, conseguem acionar apoiadores para defender suas ideias mediante uma crise.

Comunicação política direcionada 

Ao criar um conteúdo, seja ele um roteiro de vídeo, post ou até discurso, é preciso evidenciar a diretriz da comunicação. Na prática, isso significa dar o direcionamento para quem está recebendo a comunicação política.

De forma clara, o que você quer que a pessoa faça? Além de refletir sobre o assunto, é primordial que você conduza o eleitor do virtual para uma ação no mundo real. Lembra daquela inauguração do posto de saúde? Você pode convidar a pessoa para conhecer o posto, por exemplo.

Toda comunicação política tem motivo

O propósito está no entendimento do porquê você está fazendo aquela comunicação. Além disso, toda comunicação tem que ter um motivo. E acredite, isso nada tem a ver com ganhar like. Ela vai orientar alguma situação ou resolver um problema? Essa motivação deve estar clara desde o início. Se a comunicação não tiver porque, não faça.

Quer ver um exemplo de falta de propósito bem comum? Desejar parabéns para as cidades de determinado estado sem segmentar a localização.

Essa prática é disseminada no meio político e não acrescenta em nada. Moradores da cidade A não se interessam em receber parabéns pelo aniversário da cidade B. É por isso que este tipo de comunicação deve ser direcionada.

Vale até mesmo impulsionar de forma segmentada o conteúdo para garantir que a comunicação chegue ao alvo. Portanto é preciso pensar na consistência do conteúdo para evitar publicações desnecessárias. E lembre-se: quanto mais você publicar conteúdo sem propósito, menos alguém se lembrará.

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Ana Eliza Oliveira

Ana Eliza Oliveira

Flipboard

Jornalista, especializou-se em marketing digital e político na ESPM e Presença Online. Atua na gestão de comunicação e marketing digital de políticos e candidatos. Com experiência em campanhas eleitorais, pesquisa e escreve sobre o uso de ferramentas on-line na construção de imagem de pessoas e projetos, assim como o diálogo com eleitores.

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