Grande parte dos partidos políticos ignora o uso profissional da internet

A última eleição deixou um recado translúcido: uma grande parte dos eleitores preferiu dar seu voto a representantes com imagem desvinculada a partidos tradicionais. Os maiores exemplos se deram no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na eleição presidencial, mas ainda assim podemos citar também São Paulo, Rondônia e Distrito Federal.

O anti-sistema foi o maior vencedor do processo eleitoral passado e tudo indica que se não houver mudanças drásticas na comunicação partidária, deverá prevalecer também nas próximas disputas.

Partidos políticos precisam se realinhar com suas ideologias para as próximas campanhas eleitorais

O enfraquecimento da imagem dos partidos vem acontecendo ao longo dos anos, não sendo fruto de um fato novo ou extraordinário. Ele é resultante do excesso de legendas, de coligações absurdas, de escândalos envolvendo as maiores legendas e medalhões, e também, pela falta de organização e comunicação profissional partidária.

As cláusulas de barreira devem reduzir o impacto do excesso de legendas, o fim das coligações proporcionais pode reconduzir os partidos a seus eixos ideológicos e regras de financiamento eleitoral, bem como, operações como a Lava Jato, tendem a diminuir o envolvimento de partidos com práticas ilegais. Restará aos partidos reconquistar o respeito dos eleitores ou assistirem ao seu próprio fim, que pode ser antecipado caso passe alguma lei que permita o lançamento de candidaturas avulsas.

A porta de comunicação mais eficaz hoje é a internet, que reúne eleitores de todos os aspectos ideológicos e de forma abrangente, mas os partidos ainda não entenderam isso direito. Para provar minha tese, fiz um levantamento com 14 partidos brasileiros, analisando sites, canais de Youtube e redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram).

Youtube Facebook Twitter Instagram
Inscritos Vídeos Acessos Fãs Seguidores Publicações Seguidores Publicações
DEMOCRATAS 102 10 3.385 170.516 153.108 2.898 6.905 1.770
MDB 782 341 71.634 79.196 436.559 32.846 11.850 2.649
NOVO 43.857 156 1.207.904 2.086.673 158.527 11.123 350.653 1.753
PDT 2.454 100 90.088 71.089 83.739 3.323 4.350 37
PODEMOS 338 37 19.200 28.619 761 401 5.207 302
PRB 2.693 404 358.047 115.048 11.673 17.447 16.222 2.022
PSB 1.417 472 247.516 180.855 135.957 11.944 9.345 461
PSD 556 379 95.374 79.194 38.111 22.819
PSDB 7.918 1.642 2.330.368 1.248.146 606.843 61.597 19.692 2.357
PSL 198.813 180 4.832.163 207.613 138.231 1.359 440.461 455
PSOL 4.307 126 123.490 454.608 268.486 22.535 143.374 711
PT 53.776 1.650 6.491.046 1.548.950 819.730 100.241 324.582 4.071
PTB 775 195 160.806 14.559 5.534 20.405
SOLIDARIEDADE 332 291 44.757 44.482 2.259 1.558 2.253 244

Clique para acessar a imagem da tabela, que inclui números dos partidos internacionais

Análise: sites, Facebook, Youtube, Twitter e Instagram

Começarei pelos sites, que teoricamente deveriam ser a âncora de conteúdo político e centros de informações que direcionam cidadãos para os demais canais de contato. Dos 14 analisados, oito aparecem como “não seguros” assim que você os acessa. Só isso já mostra a falta de entendimento sobre o poder da web, já que é um problema de fácil solução, bastando que o partido adquira um certificado digital para seu endereço virtual. Isso daria mais confiança ao usuário que acessa e também melhoraria o posicionamento dos conteúdos no Google, que é a principal ferramenta de pesquisa no mundo.

Mas, não para por aí. Quando comparados com sites de partidos internacionais – como o francês “En Marche!”, o alemão “CDU”, o espanhol “PSOE” e o estadunidense “Democrats” – os sites dos partidos brasileiros parecem feitos no quintal de casa. Partidos mundo afora já entenderam a necessidade de produzir conteúdo e disponibilizar ferramentas que são capazes de engajar pessoas em suas causas. Nas páginas brasileiras é raro ver um espaço destinado à filiação de forma profissional. Praticamente não há propaganda ideológica e nem loja de produtos do partido.

Para a maioria dos brasileiros fica evidente a pouca valorização do YouTube que, além de ser uma das plataformas de hospedagem de conteúdo mais conhecida no mundo, é também o segundo maior mecanismo de busca. Apenas seis dos partidos chegaram a personalizar seus endereços, quase todos não contam sequer com uma descrição em seus canais que explica o conteúdo e contenha links para seus outros canais. Isso sem mencionar que praticamente nenhum usa vídeos legendados, o que dificulta a exposição nos mecanismos de busca.

Mesmo o Facebook, que é uma espécie de vírus entre os políticos brasileiros, fica claro que apenas dois ou três investem com profundidade, por meio de produção regular de conteúdo exclusivo para redes. Outros partidos apresentam irregularidade e estão abaixo – bem abaixo – da marca de um milhão de fãs. Nenhum usa ferramentas de automação para cadastrar e mobilizar fãs e nem mesmo o Novo, que é o maior em volume de fãs, responde os comentários deixados na página.

O Twitter ainda é utilizado, principalmente por PT, PSDB e MDB, que detêm o maior volume de seguidores e o maior de publicações também. Já o Instagram é território do PSL, do PT e do Novo, todos acima de 300 mil fãs. O MDB, o PRB e o Democratas produzem bastante conteúdo, mas estão abaixo dos 20 mil fãs.

Cabe um alerta aqui! Para o objetivo de comunicar melhor e atrair simpatizantes, não adianta inflar números nos canais, usando de robôs e contas falsas. Ao inflar os canais, as próprias ferramentas passam a exibir menos os conteúdos publicados.

O caminho é um só: é preciso passar a olhar a internet como um canal de comunicação completo, não um puxadinho da televisão ou de outros meios. Cada mídia tem um papel e o da internet é ser a liga entre o que um partido tem a dizer e o que um cidadão gostaria de saber. É uma questão de foco. Quem olhar para ela com mais atenção e dedicar esforço compatível sobreviverá. O restante sucumbirá ao anti-sistema e, lentamente, caminhará para a irrelevância.

Você pode se perguntar por onde começar ou como compreender este processo. Garanto que só com estudo e trabalho é possível mudar a realidade que retratei neste texto.

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Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político. Costumo enviar conteúdos de comunicação e marketing político por WhatsApp. Caso queira receber, basta adicionar o meu número (61) 99815-6161 na sua lista de contatos e me mandar uma primeira mensagem com seu nome.

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