Mobilização política: quem se antecipa, ganha vantagem

Há lutas sociais a todo momento e por vários motivos, desde grandes crises econômicas até o buraco no asfalto da rua onde moram, as pessoas costumeiramente se mobilizam para reivindicar melhorias. Muitas se limitam a apenas escolher vereadores, prefeitos, deputados e presidentes para representá-las, mas isso tem mudado. Devido à grande insatisfação com a política, a população tem se tornado cada vez mais ativa indo às ruas em apoio ou em protestos organizados pelas mais diversas pautas.

Nesse contexto, as mobilizações vem ganhando destaque não só nas ruas, mas nas redes sociais, que em várias situações informou, motivou e levou pessoas às ruas.

No caso da mobilização política, há sempre uma atuação planejada, muitas vezes permanente, e possui interesses específicos. Os militantes políticos são aqueles que abraçam uma causa de vertente ideológica ou partidária. São eles que buscam apoio em seus bairros, em suas categorias profissionais, nas lideranças comunitárias etc. Já nas redes, os influenciadores digitais mobilizam verdadeiros exércitos virtuais que contribuem para a difusão de informações e de eventos que refletem na aderência de uma enorme quantidade de pessoas em movimentos politicamente motivados.

O papel da militância na mobilização política

Nas eleições de 2014 e 2018, tive a oportunidade de trabalhar com militância política, entre outras funções. Mas especificamente em 2014, vivenciei algumas experiências difíceis e que deixaram grandes aprendizados. Com elas, pude identificar falhas que poderiam ter sido evitadas durante a campanha, como a falta de integração das equipes, de planejamento, mas principalmente a falta de organização e de cuidado com a militância. Vi muitos militantes pularem do barco ou ficarem desestimulados por conta de coordenadores que simplesmente não sabiam lidar com a suas equipes.

Animação com pessoas de diferentes aparências representando agentes de mobilização política

No jogo da mobilização, para ter uma militância engajada não basta saber mandar ou somente pagar, até porque boa parte da militância é voluntária, nem muito menos deixar tudo para cima da hora, como é de praxe. É preciso ter profissionais que saibam treinar as pessoas, que façam com que elas se sintam parte das decisões, que as motivem constantemente e, principalmente, saibam dar o valor e o reconhecimento a elas como parte essencial no processo eleitoral. Infelizmente, não é isso que costumamos ver.

A importância de um banco de dados consolidado para a mobilização política

É importante ressaltar aos candidatos que estão entrando na política e que não possuem uma base relevante de contatos e desejam ampliá-la ou simplesmente atualizá-la, que não se constrói uma militância política do dia para noite. Nestes casos, é preciso tempo.

Quando fui trabalhar num determinado partido político, fiquei impressionada ao perceber que não havia uma organização de registros de militantes e filiados ou qualquer outro tipo de mailling que eu pudesse trabalhar a comunicação interna adequadamente. O que tinha eram fichas de papéis com cadastros desatualizados, pouquíssimos aproveitáveis.

Uma eleição estava próxima e eu sabia que era necessário e urgente organizar a rede de contatos. Assim, passei a captar dados dos filiados, de pessoas nas reuniões externas e internas, em eventos (aniversários, batizados etc.); e pelas redes sociais por meio de contatos simpáticos que eram feitos nos comentários de posts ou pelo messenger. Depois era tudo organizado e digitado numa planilha.

Abro um parêntese aqui, o mais importante num banco de dados é a qualidade dos contatos, e não somente a quantidade. É por meio deles que será possível solidificar as bases, identificar os maiores influenciadores, construir a militância de campo e virtual, entre tantas outras coisas. Não adianta comprar uma base de dados aleatória de empresas que insistem em vendê-las se as pessoas não sabem quem você é, não se interessam pelo seu discurso ou não desejam receber sua mensagem. Além de desperdiçar dinheiro e comprometer o resultado, isso pode gerar uma antipatia enorme, ou seja, um efeito contrário ao que deseja.

Na campanha, pude perceber o quanto foi importante ter construído uma estrutura com antecedência, pois a base de dados e o mapeamento das lideranças estavam bem organizados. As redes de relacionamentos que foram construídas ao longo do tempo, principalmente pelos grupos políticos e pelas listas de transmissão do WhatsApp, possibilitaram criar vínculos e manter o engajamento, mesmo com as constantes mudanças no cenário político.

Sabemos que 2020 já começou e, com o fim das coligações proporcionais, é preciso buscar o maior número de pessoas e lideranças que possam levar a bandeira política dos candidatos, o que só será possível com muito trabalho. Uma boa rede de contatos e a militância eficiente são fundamentais para o sucesso da mobilização política nas campanhas; é aumentar as chances de conquistar mais eleitores, ter mais votos e, consequentemente, vencer uma eleição.

Gostou do artigo e quer saber mais sobre estratégias de mobilização política? Assista o vídeo do professor Fabrício Moser. 

Carla Chiappetta

Carla Chiappetta

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Especialista em Marketing Político Digital. Formada em Publicidade e Propaganda, pós- graduada em Marketing Digital. Trabalha com comunicação há 18 anos, mas desde 2009 se dedica ao Digital. Tem conhecimento em várias áreas como Pesquisas de Opinião, Mobilização Eleitoral, Assessoria e Consultoria Política. Participou da equipe e coordenação de várias campanhas.

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