Como fazer campanha eleitoral econômica e eficiente

A cada período pré-eleitoral uma das indagações mais comuns dos candidatos a cargos públicos é quanto eu vou gastar para me eleger? Afinal, todo político quer ter sucesso em sua campanha e se eleger com pouco dinheiro. A resposta para essa questão está na forma como vai ser conduzido o trabalho ainda no período anterior a pré-campanha. É essa estratégia que determina se os 45 dias campanha eleitoral vão terminar de maneira econômica e eficiente.

O caminho para gastar pouco financeiramente e ter resultado em uma campanha eleitoral é chegar ao período de propaganda política já com reputação do candidato construída perante o eleitor. O uso de técnicas corretas e a produção conteúdos de interesse para cada público ajudam a estabelecer uma imagem de proximidade e uma identidade do político junto à comunidade em que atua. Nem sempre o êxito está na conquista do cargo eletivo. Sair “maior” que entrou na disputa também é considerada uma vitória política importante.

A sociedade atualmente vive em um mundo fragmentado, com grupos de interesse segmentados. Há os protetores dos animais, os defensores dos valores morais da família e os líderes de bairro, por exemplo. O que interessa a um público pode não interessar ao outro. Por questão de tempo, espaço e recursos, em uma campanha eleitoral, é impossível falar com todos os eleitores. Assim, para entrar em uma disputa econômica e eficiente, é preciso que o político seja identificado como a referência de um determinado segmento social. Isso é construído através da reputação. Para estabelecer a sua marca, o político precisa, primeiro, definir em qual espectro se encontra: temático (defende uma causa), ideológico (defende valores) ou regional (defende uma região). Existem caminhos técnicos para chegar lá.

Reputação política é o caminho

Mas, se eu não falar com todos, não vou ter votos suficientes para me eleger? Certamente, será um questionamento do político. Sim, ele terá os votos de que necessita, desde que faça a lição de casa e construa a sua reputação. Ninguém é eleito com 100% dos votos. Mesmo nos cargos majoritários, a vitória nas urnas se dá, geralmente, por 1/3 do eleitorado, excluindo-se votos em branco, nulo, no oponente e abstenções.

Quando um político delimita sua atuação, ele otimiza seus esforços financeiros e políticos para se comunicar com o eleitor. Sua conexão passa a ser mais eficiente. Isso, porque, para chegar à mente das pessoas, antes, a mensagem precisa tocar o coração delas. É falar aquilo que realmente interessa ao outro. Ter reputação estabelecida é ser mais efetivo, o que gera uma relação custo por voto mais econômica. Do contrário, o investimento na campanha eleitoral obrigatoriamente precisará ser alto, caso almeje a vitória eletiva ou política nas urnas, de fato.

Quando começar a reputação para economizar na campanha?

A lei eleitoral não é clara sobre o início da pré-campanha. Por prudência, considera-se 1o de janeiro do ano eleitoral – período em que passam a valer regras específicas para a divulgação de pesquisas. As convenções partidárias que definem as candidaturas, em maio, podem ser outra referência. Porém, a construção da reputação política independe destas datas. Quanto mais cedo a marca do político começar a ser definida, mais forte o candidato chegará à campanha eleitoral e, consequentemente, menos dinheiro terá que investir durante a propaganda política para obter êxito. Contudo, deve-se respeitar o momento do eleitor.

Você acredita, mesmo, que o cidadão que sai de casa às cinco horas da manhã para trabalhar e sustentar os filhos esta interessado em saber se determinada pessoa será candidata nas eleições daqui a um ano?! Não, é claro. O cidadão tem outras preocupações no seu dia a dia. Ainda não é o momento de falar de eleições, mas, sim, de abordar assuntos que interessem ao outro. O político pode e deve fazer isso, sempre.

Como alcançar a reputação até a eleição?

Um dos erros mais comuns de qualquer político é quer falar dele e sobre o que ele fez, em vez de dizer algo interessante para o eleitor, que está, neste momento, desinteressado de política e de campanha eleitoral. O foco deve ser a produção de um conteúdo útil para o cidadão, não para o político.

Na comunicação política, muitos não observam que as redes sociais têm duas funções específicas: entretimento e relacionamento. As pessoas não estão conectadas para “curtir” um político ou discutir eleições. Antes de tudo, é preciso criar empatia. Como exemplifica o professor de marketing político e eleitoral, Marcelo Vitorino, o mandatário não chega na borda da piscina em um clube e diz: “vamos sair da água, que vou falar da verba de tantos mil que consegui para a cidade”. Na rede social, pelos menos, deveria ser a mesma lógica.

Empatia é a primeira fase. Depois, vem a motivação, que é fazer com que o sentimento de pertencimento seja despertado no eleitor. Apenas na última etapa, já com a propaganda em andamento, é que vamos falar em campanha eleitoral. Neste momento, entra a mobilização.

Para identificar, planejar e executar todos estes passos é fundamental um trabalho profissional de pesquisa, de estruturação de conteúdos e de definição de canais para disseminá-los. Em política, o eleitor não troca alguém por ninguém. Pensar nisto é decisivo para qualquer político nesta sociedade moderna em que as pessoas recebem muito mais informação fragmentada, em que a interação social é bem mais dinâmica e em que há a formação múltipla de consciência política.

Se você pretende se candidatar nas eleições 2022, não deixe para depois. O ano ainda tem dois meses pela frente. Aproveite e comece já a trabalhar sua reputação. Aqui você encontra outros artigos que podem te ajudar nesta jornada.

Marcelo Facuri

Marcelo Facuri

Marcelo Facuri é consultor em marketing político e eleitoral e em comunicação governamental e de mandato. Foi responsável pelo marketing de três campanhas vitoriosas para a Prefeitura de Franca/SP. Também atuou para três eleições de diretoria da maior entidade recreativa da cidade. Foi assessor de comunicação governamental por 12 anos e assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo.

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