Entender exatamente o que fazer na pré-campanha durante o período de janeiro a agosto é o que separa os amadores dos profissionais nas eleições. A construção de uma vantagem competitiva sólida depende diretamente de como você utiliza esse tempo precioso, focando em planejamento estratégico e comunicação política eficiente. Quem acredita que a disputa só começa nos 45 dias finais está, infelizmente, planejando a própria derrota.
O período que antecede a campanha oficial não é momento de descanso ou de ações aleatórias. É a fase de estruturação, onde o político ou o profissional de comunicação deve preparar o terreno para a batalha que virá. A legislação eleitoral permite uma série de atividades que, se bem executadas, colocam o candidato quilômetros à frente da concorrência quando a largada oficial for dada.
Vou ser muito franco com você: o tempo é o recurso mais escasso em uma eleição. Dinheiro você pode arrecadar, equipe você pode contratar, mas tempo perdido não volta. Por isso, preparei um roteiro do que deve ser prioridade na sua agenda nesses meses decisivos.
Planejamento e formação de equipe qualificada
O primeiro passo, logo no início do ano, é garantir quem vai estar ao seu lado. A pré-campanha exige profissionalismo. Um erro comum é deixar para contratar a equipe de comunicação e marketing em julho ou agosto. Sabe o que acontece? Os melhores profissionais já estarão comprometidos com outros projetos.
De janeiro a março, foque em montar o núcleo duro da sua campanha. Defina quem cuidará das redes sociais, do jurídico e da contabilidade. Além disso, comece o treinamento dessa equipe. Todos precisam falar a mesma língua e entender a narrativa que será construída. Lembre-se: campanha eleitoral é guerra de organização.
Construção de reputação e presença digital
Você sabia que o Google pode levar de três a seis meses para indexar bem um conteúdo novo? Se você deixar para criar seu site ou publicar artigos sobre suas bandeiras apenas no período eleitoral, o eleitor não vai te encontrar quando pesquisar. E acredite: ele vai pesquisar.
Use os meses de janeiro a agosto para dominar os mecanismos de busca. Produza conteúdo denso, que mostre que você domina os assuntos que defende. Se a sua bandeira é saúde, não adianta só falar que a saúde vai mal; publique soluções, mostre conhecimento técnico. Isso gera autoridade e vantagem competitiva.
Prevenção de crises e vacinas de comunicação
Na política, não existe “se” vai ter crise, mas “quando” vai ter. O período pré-eleitoral é o momento exato para fazer uma varredura na vida do candidato e identificar pontos vulneráveis. Chamamos isso de preparar as “vacinas”.
Se existe uma foto antiga fora de contexto, um processo judicial já arquivado ou qualquer munição que os adversários possam usar, você deve preparar a resposta agora. Quando o ataque vier durante a campanha, sua equipe já terá a nota pronta, o vídeo gravado e a documentação separada. Isso garante um tempo de resposta imediato, essencial para estancar sangramentos na imagem.
Relacionamento e Big Data
Não adianta falar para as paredes. Aproveite esse tempo para organizar seu banco de dados. Quem são seus apoiadores? Onde eles moram? Qual o número de WhatsApp deles? A pré-campanha serve para qualificar esses contatos.
Evite a tentação de usar ferramentas mágicas que prometem milhares de seguidores ou disparos em massa ilegais. Construa uma lista de transmissão orgânica, converse com as pessoas, segmente seus públicos. Um banco de dados bem organizado vale ouro na reta final, permitindo que você peça votos de forma direcionada e pessoal.
Captação de recursos e testes de narrativa
Por fim, mas fundamental: dinheiro e discurso. A partir de 15 de maio, a lei permite o início da arrecadação por meio de financiamento coletivo (vaquinha virtual). Prepare-se para isso com antecedência. Quem começa a arrecadar cedo tem fôlego para impulsionar conteúdos permitidos.
Além disso, use esse período para testar seu discurso. Publique vídeos com diferentes abordagens sobre um mesmo tema e veja qual performa melhor, qual gera mais engajamento positivo. Errar agora custa barato; errar em setembro custa a eleição.
Resumo do que fazer na pré-campanha
Para que você não se perca, aqui está um checklist rápido para guiar seus passos até agosto:
- Contrate cedo: Garanta os melhores profissionais de comunicação e jurídico.
- Ocupe o Google: Produza conteúdo de qualidade para ser encontrado nas buscas.
- Prepare vacinas: Tenha respostas prontas para possíveis ataques e crises.
- Organize dados: Tenha um banco de contatos segmentado e limpo.
- Arrecade: Planeje o financiamento coletivo a partir de maio.
Se você quer se aprofundar de verdade e dominar todas as etapas desse processo, recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá, nós detalhamos cada uma dessas fases com exemplos práticos e metodologia aplicada.
Um abraço e bom trabalho nessa jornada!



