A pior coisa de trabalhar com marketing político e como resolver

Comecei a me envolver com processos eleitorais há cerca de 20 anos. Primeiro fazendo militância, pedindo voto porta à porta para candidatos, depois de organizar eventos de rua e distribuição de materiais, organizei núcleos de segmentos em campanhas. Há 12 anos migrei para a área da comunicação das campanhas, já trabalhando no digital.

De lá para cá, participei de muitas campanhas, entre elas, as vitórias de Gilberto Kassab em 2008 e Marcelo Crivella em 2016, respectivamente, São Paulo e Rio de Janeiro, duas grandes capitais do Brasil.

Mas, não fiquei só nesse eixo. Trabalhei nas 5 regiões do país em campanhas de deputados federais, senadores, governadores e atuei também em duas presidenciais.

Além disso, organizei grandes eventos de comunicação política no Brasil, no Congresso Nacional e em grandes instituições educacionais. Fui palestrante, como convidado, de eventos importantes como o Seminário Internacional de Combate à Fake News, organizado pelo TSE, e também convidado a falar em comissões especiais no Congresso.

Fundei, em conjunto com minhas sócias, a primeira escola de marketing político brasileira, com mais de 20 mil alunos tendo passado por nossos cursos, online e presenciais. E para 2021 teremos o nosso primeiro MBA de comunicação política, junto ao IDP, em Brasília.

Mesmo depois de tudo isso, toda essa jornada, vez ou outra, tenho a nítida impressão que em uma ou outra campanha parece que todo mundo sabe mais o que devo fazer do que eu. E isso não se refere apenas aos envolvidos diretamente em campanha, mas também a pessoas que orbitam os candidatos.

Candidatos, via de regra, não são especializados em comunicação política e, raramente, estão serenos durante o processo eleitoral. Suas vidas estão em jogo. Os próximos quatro anos são definidos em um período curto. Os nervos e a ansiedade estão à flor da pele.

Pegue esse ambiente e junte a todo tipo de pessoa que tem uma “sacada” genial, e que passa a “orientar” o candidato com uma propriedade e certeza sobre tudo que causa inveja em profissionais.

Gente que nunca pediu um voto, que nunca criou algo para os outros, que não sabe como é perder uma campanha por uma ação impensada, se coloca a dar opiniões e deixar ainda mais agitado um ambiente em que a calma deveria ser mantida.

Essas intervenções acabam criando ruídos desnecessários nas campanhas, levando profissionais a exaustão, tirando o foco do essencial, que é a comunicação com o eleitor.

Eu sei que se você leu até aqui é porque pode estar passando por alguma situação similar. Então, você também faz parte da resistência. ?

Vou lhe dar quatro sugestões:

  1. Tente fazer uma reunião com todos o grupo de influência para que se explique as estratégias da campanha e que se tire as dúvidas sobre ela;
  2. Reduza o número de ações ao mínimo possível para evitar o desgaste sem prejudicar a estratégia, diminua suas expectativas sobre a campanha e seja feliz;
  3. Chame os metidos a sabichões para integrar o time da campanha. Pergunte à partir de quando podem dar expediente e por qual área ficarão responsáveis, claro, tudo pró bono;
  4. Saia da campanha. Melhor um final horroroso do que um horror sem fim.

Força aí. Logo acaba.

Ps. Pode ser também que leu e vestiu a carapuça. Mas isso não é uma indireta. Deixe de ser egocêntrico(a). Essa publicação é para a comunidade de profissionais que preparam-se por anos para uma campanha e que nem por isso se dispõem a opinar sobre tudo ? Pode também aproveitar a leitura para repensar suas atitudes e passar a fazer parte da solução em vez do problema. Nunca é tarde para ter humildade e mudar.

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político. Costumo enviar conteúdos de comunicação e marketing político por WhatsApp. Caso queira receber, basta adicionar o meu número (61) 99815-6161 na sua lista de contatos e me mandar uma primeira mensagem com seu nome.

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