Se existe um momento em que a inteligência deve superar a força bruta na comunicação política, esse momento é a pré-campanha. Muitos profissionais e políticos ainda cometem o erro clássico de tentar falar com todo mundo ao mesmo tempo, gastando recursos preciosos com quem não tem o menor interesse no que está sendo dito. É aqui que entra a importância estratégica da mídia de intenção, uma ferramenta poderosa para conectar o futuro candidato com o eleitor que já está buscando por respostas. Ao contrário da publicidade tradicional, que muitas vezes interrompe o cidadão, essa estratégia foca em estar presente exatamente quando a pessoa manifesta uma dúvida ou um problema.
Para entender a relevância disso, precisamos lembrar que o comportamento das pessoas mudou. Hoje, antes de formar uma opinião, o cidadão vai ao Google ou ao YouTube pesquisar. Ele quer saber como resolver o buraco na rua, como conseguir uma vaga na creche ou entender por que o posto de saúde está sem remédio. Se a sua estratégia de comunicação não contempla essas buscas, você está deixando de conversar com o público mais qualificado que existe: aquele que já está interessado no assunto. A mídia de intenção na pré-campanha não é sobre gritar mais alto, é sobre ser a resposta certa na hora certa.
O que é essa tal de mídia de intenção?
Vamos simplificar. Imagine que a mídia tradicional (rádio, TV, um panfleto entregue no sinal) é como um vendedor batendo de porta em porta. Ele interrompe o jantar da família para oferecer um produto que, talvez, ninguém ali queira. Isso é o que chamamos de mídia de interrupção.
A mídia de intenção é o oposto. É como se você tivesse uma loja de guarda-chuvas e aparecesse magicamente na frente da pessoa exato no momento em que começa a chover e ela pensa “preciso não me molhar”. No mundo digital, essa “chuva” são as buscas que os usuários fazem nas ferramentas de pesquisa.
Quando alguém digita “como fiscalizar a prefeitura” ou “o que faz um vereador”, essa pessoa tem uma intenção clara. Ela está pedindo informação. Se o seu conteúdo aparece como resposta, você não é um chato interrompendo; você é uma solução útil. E é aí que a confiança começa a ser construída.
Por que aplicar isso na pré-campanha?
A pré-campanha é, essencialmente, um período de construção de reputação e de “plantio”. Você ainda não pode pedir votos (e nem deve, vamos ser sinceros, pedir voto cedo demais é um tiro no pé), mas pode e deve se posicionar como uma autoridade nos temas que domina.
Ao usar a mídia de intenção, você consegue três vitórias rápidas:
- Segmentação natural: Você atrai apenas quem se interessa pelos temas que você defende.
- Autoridade técnica: Ao responder dúvidas, você prova que entende do assunto, saindo do discurso vazio da “velha política”.
- Custo-benefício: É muito mais barato aparecer para quem busca sua palavra-chave do que tentar aparecer para a cidade inteira.
Como usar a mídia de intenção na prática
Agora que você entendeu o conceito, vamos para a mão na massa. Não adianta ter a teoria se não soubermos virar a chave na prática. O processo se resume a: escutar, produzir e ser encontrado.
1. Mapeie o que as pessoas buscam
Antes de escrever qualquer texto ou gravar vídeo, descubra o que o eleitor da sua região está pesquisando. Ferramentas como o Google Trends ou o Planejador de Palavras-chave do Google são essenciais aqui. As pessoas estão buscando mais sobre “segurança no bairro X” ou “falta de água”? A sua pauta deve ser pautada pela demanda real da sociedade, não apenas pelo que você acha interessante.
2. Seja a melhor resposta
Se a busca é “como conseguir remédio no posto de saúde”, crie um conteúdo (texto no blog ou vídeo) explicando o passo a passo, os direitos do cidadão e o que fazer se faltar. Não use isso para atacar o prefeito atual gratuitamente. Use para orientar. A gratidão gera memória de voto lá na frente.
3. Prepare o terreno para o encontro
Garanta que seu site, blog ou canal de vídeo tenha as palavras-chave certas nos títulos e descrições. Isso é o básico de SEO (Otimização para Mecanismos de Busca). Se o seu conteúdo for bom, mas o Google não conseguir “ler” sobre o que ele trata, você estará falando sozinho.
Exemplo prático: O buraco na rua
Vamos a um exemplo clássico. Um morador cai em um buraco na rua e quebra a suspensão do carro. Ele vai ao Google e digita: “prefeitura paga conserto carro buraco rua”.
Se você, pré-candidato, produziu um artigo intitulado “Seu carro quebrou por causa de um buraco? Saiba como pedir indenização à prefeitura”, e esse texto aparece na busca, bingo! Você acabou de ajudar um cidadão num momento de raiva. Ele vai ler seu texto, ver que você entende de leis ou de administração pública e passará a te ver com outros olhos. Você transformou uma intenção de busca em um ponto de contato positivo.
Conclusão e checklist para começar
A mídia de intenção na pré-campanha é sobre utilidade e presença estratégica. É deixar de ser o político que fala e passar a ser o líder que responde e resolve. Lembre-se: quem chega primeiro na mente do eleitor com uma solução, fica.
Resumo do que vimos:
- Mídia de intenção responde a uma busca ativa do usuário.
- É mais eficiente e barata que a mídia de interrupção.
- Na pré-campanha, serve para construir autoridade e reputação.
- O conteúdo deve ser útil e educativo, sem pedido de votos.
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Um grande abraço e bom trabalho nessa pré-campanha!




