Como contratar uma pesquisa eleitoral

O eleitor é pragmático. E sempre deposita o seu voto no candidato que, em sua visão, tem mais capacidade de resolver os problemas que o aflige. Portanto, antes de qualquer passo concreto na construção de uma candidatura, é necessário conhecer a fundo como pensa, o que deseja, os sonhos, aspirações e medos de cada habitante apto a votar no domicílio eleitoral do candidato.

Nesta linha, uma das bases mais importantes de uma campanha política é um programa de pesquisas robusto. Entretanto, o linguajar técnico de alguns institutos de pesquisa pode dificultar a compreensão do que realmente será executado e entregue.

A seguir, vamos discutir alguns dos pontos mais importantes no processo de contratação de um levantamento quantitativo.

A escolha do Instituto de Pesquisas

Durante o período eleitoral, especialmente durante o pleito municipal, a demanda por pesquisas eleitorais supera em muito a capacidade dos principais Institutos de Pesquisa.

Isso gera duas reações no mercado: A primeira é o aumento dos preços, especialmente se o grupo político não possui uma relação com a empresa de pesquisas. A segunda é o aparecimento de diversos “pesquisadores”, que são profissionais com algum conhecimento técnico, mas muitas vezes pouca ou nenhuma experiência prática. Geralmente são empresas que não possuem escritório, ou que a atividade principal não são as pesquisas de opinião pública.

Portanto, é necessário que antes do contato prévio, seja feita uma pesquisa na internet ou com conhecidos, para assegurar a idoneidade e profissionalismo do prestador de serviço. Sempre desconfie de valores muito abaixo do mercado. Geralmente é um péssimo sinal.

A conversa com o diretor

Essa é uma etapa importante para avaliar se você está conversando com um tirador de pedidos ou profissional que realmente deseja ajudar na caminhada eleitoral.

Observe se o diretor do Instituto busca compreender a situação político eleitoral em que você está inserido. A não ser que você esteja na reta final da campanha, evite ao máximo pesquisas que afiram apenas a intenção de voto, conhecimento e rejeição. Na fase pré-eleitoral é importante que o questionário aborde o maior número de questões possíveis. Assim é possível subsidiar a construção do discurso e a estratégia de campanha com base em dados concretos.

Dê preferência para questionários que contemplem avaliações de áreas prioritárias, como saúde e segurança, que meçam a abrangência de veículos de comunicação, importância de apoios etc.

Margem de erro e intervalo de confiança

Margem de erro e intervalo de confiança são dois termos técnicos bastante comuns quando o assunto são pesquisas eleitorais.

Das duas, a métrica mais conhecida é a margem de erro, que nada mais é do que a faixa de variação dos resultados da pesquisa. Qualquer valor dentro da margem de erro é estatisticamente possível. É neste cenário que ocorre o empate técnico entre dois ou mais candidatos.

O segundo parâmetro é o intervalo de confiança. O valor mais comum para o intervalo de confiança para os levantamentos eleitorais é 95%. O seu significado está intimamente ligado à margem de erro da pesquisa.

Um levantamento com 5% de margem de erro e intervalo de confiança de 95% é interpretado da seguinte forma: A cada 100 pesquisas feitas seguindo o mesmo plano amostral, o resultado de 95 delas estará dentro da margem de erro de 5 pontos percentuais.

Pontos importantes para assegurar a qualidade do trabalho

Durante o processo de negociação, investigue como é feita a coleta das entrevistas. Pergunte sobre a equipe de aplicação (são profissionais? moram na cidade? tem filiação política? etc).

Aproveite para investigar como será feito o plano amostral e as cotas de aplicação. Quais serão utilizadas (Sexo? Idade? Escolaridade? Região?), qual a origem dos dados (TSE?, IBGE?, prefeitura?).

Atente para como será feita a divisão geográfica das entrevistas. Os dados são recentes? Caso seja utilizado os setores censitários do IBGE, vale a pena conferir se não surgiu nenhum grande bairro ou conjunto habitacional nos últimos anos (especialmente Minha Casa Minha Vida).

Por fim, investigue como é feito o controle de qualidade das entrevistas. Os formulários serão em papel ou eletrônicos (tablets)? Caso sejam de papel, será necessário a coleta de informações pessoais como nome telefone ou endereço. Se forem eletrônicos, será possível realizar a gravação silenciosa das entrevistas e a coleta de coordenadas geográficas.

De maneira geral, a gravação silenciosa permite um melhor controle sobre a qualidade dos dados levantados. Caso tenha opção, opte por essa forma de pesquisa. A pesquisa em formulários de papel está obsoleta no mercado. (Leia mais sobre o controle de qualidade em pesquisas aqui)

A entrega do relatório de pesquisa

Durante a entrega do relatório, solicite o banco de dados. Esse arquivo será fundamental para que sejam conduzidas análises mais aprofundadas com cruzamentos de segundo e terceiro grau (caso a amostra seja robusta o suficiente).

Muitas vezes a coleta não segue as cotas determinadas no plano amostral. Pergunte ao Instituto se foi necessário alguma reponderação após o campo. Tenha em mente que uma reponderação reduz a precisão na pesquisa.

Não tenha medo de fazer perguntas durante a apresentação da pesquisa. O responsável por apresentá-la é a pessoa mais capacitada para sanar qualquer dúvida que venha a surgir. Não deixe a oportunidade passar.

Matheus Dias

Matheus Dias

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Fundador e diretor do Instituto OPUS. Atua com pesquisas eleitorais e de opinião pública desde 2011. É economista formado pela Universidade Federal de Viçosa.

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