Como usar WhatsApp em campanhas? E o WhatsApp Business?

Uma das novidades do momento é o WhatsApp Business, quais são suas restrições e funcionalidades? Entenda como o WhatsApp pode ser utilizado em campanhas eleitorais.

O WhatsApp Business será efetivo nas campanhas eleitorais? Como ele funciona?

Saber a eficácia do WhatsApp Business é quase um exercício de futurologia, porque ele é muito novo. Tem um ponto que eu sei que os candidatos vão detestar, não é possível falar com um número que nunca falou com você. Isso inviabiliza um trabalho que boa parte dos candidatos faz: enviar spam. Com essa restrição, eu acho que o WhatsApp Business não vai ser um grande ativo de campanhas.

Este ano acredito que a maior parte dos candidatos vai usar o aplicativo como quem vai à piscina das crianças, vai fazer o básico. Vai sair montando grupos, incluindo pessoas e enchendo a paciência de todo mundo com uma produção de conteúdo muito ruim, que é basicamente o pedido de votos. Vamos ver aquela chuva de candidatos Copa do Mundo, que aparecem de quatro em quatro anos e falam ”vote em mim”.

Como utilizar o WhatsApp de maneira eficaz

O candidato que realmente contratar uma equipe, contratar profissionais, investir em conteúdo, investir na estratégia de comunicação apropriada para o canal, tem futuro.

O que ele deve estar fazendo daqui até a campanha? Ele deve construir bases para relacionamento.

Tenho clientes, por exemplo, que têm dez telefones, dez linhas para ter dez números diferentes. E porque ele tem WhatsApps diferentes? Porque cada região em que ele trabalha, ele divulga um número. Com isso, quando a população interage com aquele número específico, a equipe sabe de qual região é aquela pessoa que está realizando o contato. Eles têm tudo separado, todos os mailings que chegam ficam separado de acordo por região, pois ele fez isso com os números, ele planejou o uso com visão estratégica.

Claro que isso demanda que o candidato invista em ter dez aparelhos ou até mais, dependendo da candidatura você pode ter mais aparelhos, você pode separar por públicos. Se ele é um candidato dos professores, vamos dizer assim, eu tenho professores do ensino médio, do ensino fundamental, tenho diretores, assim eu poderia ter números de WhatsApp diferentes para falar com esses microsegmentos.

Até porque, depois de um número determinado de contatos, e não existe um número definido, mas pode considerar cerca de três à quatro mil contatos que estão dentro de um celular, você vai começar a ter dificuldades para mandar mensagem em lista para todos.

Imagine que você vai mandar um vídeo pequeno, de 4 ou 5 megas. Mas você quer mandar isso para cinco mil pessoas. Qual é a chance de não travar? É muito pequena, porque são 5 mega vezes cinco mil pessoas. O ideal é que você tenha menos contato por aparelho ou melhor, mais linhas também.

Chatbot no WhatsApp

Um candidato que realmente está preocupado com a campanha, poderia usar um WhatApp com chatbot e fazer um atendimento via robô para militante ou para a população.

Como isso funcionaria? Eu posso fazer um chatbot para a população saber mais sobre as propostas do meu candidato.  Monto uma grade de conteúdo e se a pessoa fala por exemplo, qual a profissão ou qual a área de interesse da campanha, ela manda para o meu WhatsApp e aí o robô responde:

”Tudo bem, como está? Aqui é um robô da campanha do Marcelo Vitorino, você quer saber o que? (1) Você quer informações sobre as áreas como saúde, educação e segurança? (2) Você quer saber sobre comitês, como pegar material? (3) Ou você quer mandar uma mensagem para o candidato?”

Você pode fazer isso via robô, não precisa de uma pessoa, um atendimento humano ali para cuidar dessa história, isso seria um uso inteligente do WhatsApp. Ou seja, primeiro a base de dados segmentadas com números e aparelhos. Segundo, chatbot para atendimento ao usuário.

Comprar disparos de base que você nunca viu, eu não recomendo. Porque você não vai ter como ter acesso às respostas delas e, pior, caso elas queiram retornar para você, elas não vão conseguir.

Outras coisas existem também, como colocar as pessoas em grupos. Sinceramente? As pessoas dão block em você ou elas silenciam o grupo e ninguém vê mais.

Outra coisa, você simplesmente comprar uma base de dados e montar lista de transmissão também é mal negócio, porque a pessoa só recebe o conteúdo se ela tem seu contato registrado no celular dela, portanto isso inviabiliza este tipo de relação.

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

Flipboard

Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político

leia mais

Mais artigos do autor:

Engajamento no facebook - Marcelo Vitorino Leia mais

09 de março de 2018

Marcelo Vitorino

Nos tempos atuais ainda é possível ter um bom engajamento sem pagar? Marcelo Vitorino explica e tira dúvidas sobre como fazer uma postagem ter bom engajamento.

eleitor conectado Leia mais

02 de setembro de 2014

Marcelo Vitorino

Pesquisa revela o perfil dos eleitores conectados, o que querem encontrar nos canais dos candidatos e os critérios que usam para decidir o voto.

Artigos Relacionados:

Leia mais

26 de julho de 2018

Maíra Moraes

Estudo aborda a reconstrução do mercado de marketing político no Brasil, a partir da formação de novos profissionais por meio da educação a distância.

Leia mais

02 de julho de 2018

Maíra Moraes

Pesquisa realizada pela Presença Online identifica o perfil do eleitor conectado brasileiro, seu comportamento de consumo de conteúdo digital e perfil partidário.