Manter a constância nas redes sociais é, sem dúvida, um dos maiores desafios para quem trabalha com comunicação e marketing político. Muitas vezes, a equipe se vê sem material novo, ou o político não tem agenda disponível para gravar vídeos todos os dias. É nesse cenário que surge uma estratégia fundamental para garantir a presença digital: a produção de conteúdo para pré-campanha baseada em entrevistas longas. Ao invés de depender da criatividade diária ou do factual, você constrói um acervo robusto que serve de alicerce para a narrativa que deseja emplacar junto aos eleitores e profissionais da área.
O objetivo aqui não é publicar um vídeo de uma hora e esperar que as pessoas assistam. Vamos ser sinceros: na internet, a disputa pela atenção é brutal e poucos terão paciência para isso. A grande sacada é entender que uma conversa aprofundada é uma mina de ouro de informações. Se você souber extrair os trechos certos, terá em mãos munição suficiente para meses de trabalho, garantindo que a mensagem chegue aos diferentes públicos de forma segmentada e eficiente. É sobre trabalhar com inteligência e planejamento, otimizando o tempo do candidato e da equipe.
O conceito da entrevista em profundidade
Quando falo em entrevista longa, não estou falando de uma conversa de elevador. Estou falando de sentar com o pré-candidato e explorar, a fundo, sua biografia, suas visões de mundo e suas propostas. Esse material bruto é o que chamamos de “conteúdo raiz”. É dele que tudo vai derivar. Na estratégia de comunicação, precisamos mapear a linha do tempo dessa pessoa: de onde ela veio? O que ela defende? Quais são suas posições sobre saúde, educação ou segurança?
Para o profissional de marketing, esse momento é essencial para identificar a “verdade” do candidato. Não adianta inventar um personagem; a internet descobre. Ao gravar uma entrevista de duas ou três horas, você captura a essência, o vocabulário natural e as histórias que geram conexão emocional. E lembre-se: conexão é a chave do voto.
Fatiando o conteúdo: a técnica da multiplicação
Agora que você tem o arquivo bruto, começa o verdadeiro trabalho de marketing político digital. Você não vai soltar o vídeo inteiro de uma vez. A técnica aqui é o “fatiamento” ou a criação de pílulas de conteúdo. Um vídeo de duas horas pode conter trinta respostas incríveis de um minuto. Cada uma dessas respostas vira um ativo digital independente.
Por exemplo, se o pré-candidato contou uma história emocionante sobre a infância dele em um bairro carente, isso é um vídeo para o Instagram e Facebook, focado em gerar empatia. Se ele explicou tecnicamente como resolver o problema do trânsito, isso pode virar um vídeo para o LinkedIn ou um corte para o YouTube. O segredo é identificar os trechos que funcionam sozinhos, que têm início, meio e fim, e transformá-los em peças curtas e compartilháveis.
Diversificando os formatos nas redes sociais
Além de cortar os vídeos, você deve transmutar esse material. Aquela entrevista longa não serve apenas para vídeo. O áudio pode virar pílulas para disparos em listas de transmissão no WhatsApp (sempre com permissão, claro). O texto transcrito da fala pode virar artigos para o blog do candidato ou legendas densas para fotos.
Exemplos de aproveitamento:
- Cortes Verticais: Pegue as frases de efeito ou opiniões polêmicas e transforme em Reels ou TikToks dinâmicos.
- Cards de Citação: Uma frase forte dita na entrevista vira um card estático para o feed, reforçando o posicionamento.
- Artigos de Opinião: Aprofunde um tema citado na entrevista e publique no site oficial, melhorando a indexação no Google.
Planejamento e cronograma de postagem
Ter o material é ótimo, mas saber quando usar é o que diferencia os amadores dos profissionais. Você não deve soltar tudo na mesma semana. O conteúdo para pré-campanha deve seguir uma lógica narrativa. Se em maio o tema nacional for saúde, você resgata o trecho da entrevista gravada em janeiro onde o candidato fala sobre hospitais. Isso dá agilidade à comunicação.
Crie uma biblioteca de temas. Etiquete cada trecho da entrevista: “Educação”, “Segurança”, “História de Vida”, “Família”. Assim, quando surgir uma oportunidade ou uma crise, você tem a resposta do candidato pronta na manga, sem precisar correr atrás dele para gravar algo às pressas. Isso é gestão de crise preventiva.
Conclusão e checklist prático
Transformar uma entrevista longa em munição para meses não é mágica, é método. Isso garante que o pré-candidato esteja sempre presente na timeline do eleitor, reforçando sua mensagem e sua marca política, mesmo quando ele está descansando ou cuidando de articulações políticas de bastidor.
Para fechar, deixo aqui um pequeno resumo do que você deve observar:
- Grave com qualidade de áudio e vídeo (o conteúdo vai durar meses).
- Transcreva tudo para facilitar a busca por temas.
- Não tenha medo de repetir assuntos importantes em formatos diferentes.
- Adapte a linguagem para cada rede social.
Se você quer dominar essas e outras técnicas para chegar vitorioso no dia da eleição, recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá nós aprofundamos a estratégia por trás de cada ação de comunicação. Acesse imersaoeleicoes.com.br e prepare-se de verdade.
Um abraço e bom trabalho!



