Um dos erros mais graves que vejo acontecer em todas as eleições é o candidato esperar o período oficial para começar a se mexer. Na pré-campanha para deputado, o tempo é o recurso mais valioso que você tem, e desperdiçá-lo é pedir para perder. O período de 45 dias de campanha oficial é curto demais para quem precisa construir nome, apresentar propostas e, principalmente, conquistar a confiança do eleitor. É matematicamente improvável conseguir furar a bolha e consolidar uma imagem vencedora em tão pouco tempo, especialmente em uma eleição proporcional onde a concorrência é brutal.
Entender o cenário é o primeiro passo. Diferente da eleição majoritária (para prefeito ou governador), onde a disputa é mais centralizada, a eleição para deputado exige nicho, segmentação e uma construção de reputação sólida. A pré-campanha para deputado serve justamente para isso: preparar o terreno, organizar a casa e testar o discurso. Quem deixa para improvisar na hora do “vamos ver”, geralmente acaba assistindo a posse dos outros pela televisão. O objetivo aqui não é pedir voto — o que é proibido por lei nesta fase —, mas sim mostrar competência, trajetória e valores.
Diferença entre popularidade e autoridade
Muitos pré-candidatos confundem ser conhecido com ser respeitado. Popularidade é quando as pessoas sabem quem você é; autoridade é quando elas confiam no que você diz. Na pré-campanha para deputado, o seu foco deve ser total na construção de autoridade. O “tapinha nas costas” e a foto no evento social ajudam na popularidade, mas não necessariamente convertem em voto consciente.
Para construir essa autoridade, você precisa se posicionar como alguém que domina os assuntos que se propõe a defender. Se você é um médico, por exemplo, não adianta querer opinar sobre obras de infraestrutura com a mesma ênfase que fala de saúde pública. O eleitor precisa olhar para você e pensar: “Esse cara entende do problema que eu estou passando”. É essa percepção de competência técnica e moral que constrói a reputação necessária para vencer.
Defina suas bandeiras e seus nichos
A máxima “quem fala com todo mundo, não fala com ninguém” nunca foi tão verdadeira quanto no marketing político atual. Um deputado é um representante de segmentos. Tentar abraçar todas as causas do mundo só vai fazer você parecer um oportunista ou alguém sem foco. Durante a pré-campanha, você deve escolher duas ou três bandeiras prioritárias e mergulhar nelas.
Vamos imaginar a seguinte situação: você decide defender a educação. Ótimo. Mas o que, especificamente? A valorização dos professores? A reforma das escolas? O ensino técnico? Quanto mais específico você for, maior a chance de criar conexão real com quem sofre aquele problema. Use a pré-campanha para se tornar a referência naquele assunto. Produza conteúdo que ensine, que oriente, que mostre soluções. Quando o período eleitoral chegar, você já será a autoridade natural no tema.
Conte sua história de forma estratégica
As pessoas não votam em currículos, elas votam em histórias e em pessoas. A sua biografia é uma ferramenta poderosa de conexão, mas ela precisa ser contada do jeito certo. Não basta listar cargos que você ocupou. Você precisa mostrar a jornada, as dificuldades superadas, a origem e, principalmente, os valores que guiam suas decisões.
Na pré-campanha para deputado, humanizar a comunicação é essencial. Mostre os bastidores, a família, o que você faz no domingo. Isso gera empatia. Se você já tem mandato, mostre que não é um político de gabinete, mas alguém que vive a realidade da cidade ou do estado. Se é a sua primeira disputa, mostre como sua vida profissional e pessoal te preparou para representar as pessoas. O eleitor precisa sentir que compartilha da mesma visão de mundo que você.
Organização de dados e relacionamento
Não adianta nada fazer um trabalho lindo de comunicação se você não souber com quem está falando. A pré-campanha é o momento de ouro para construir seu banco de dados. Esqueça a ideia de comprar listas prontas, isso é ilegal e ineficiente. O que funciona é construir sua própria base.
Estimule as pessoas a entrarem em contato com você pelo WhatsApp, a se cadastrarem para receber informações sobre o mandato ou sobre suas propostas. Mas atenção: não use isso apenas para enviar “santinhos digitais” lá na frente. Crie um relacionamento. Pergunte a opinião delas, mande conteúdos relevantes, mostre que há um ser humano do outro lado. Ferramentas de CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) são essenciais aqui. Um candidato que chega na eleição com uma lista organizada de 5 mil pessoas engajadas vale muito mais do que um que tem 50 mil seguidores fantasmas no Instagram.
Conclusão e próximos passos
Construir autoridade na pré-campanha para deputado não é mágica, é método. Exige disciplina, estratégia e, acima de tudo, tempo. Se você deixar para a última hora, vai acabar refém da sorte ou do poder econômico, e sabemos que isso não garante vitória.
Para resumir nossa conversa, aqui está o que você não pode deixar de fazer:
- Estude o cenário: Entenda a matemática da eleição proporcional.
- Foque no nicho: Escolha suas bandeiras e torne-se especialista nelas.
- Humanize-se: Conte sua história e conecte-se pelos valores.
- Organize os dados: Construa e qualifique sua base de contatos desde já.
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Um abraço e bom trabalho nessa jornada!



