Um dos erros mais comuns que vejo no mercado é a ansiedade de colocar o bloco na rua. O político, ou o pré-candidato, sente aquela urgência de aparecer, de postar foto, de gravar vídeo, achando que comunicação é apenas volume. Não é. Antes de abrir a boca ou fazer a primeira postagem, existe um dever de casa fundamental: o planejamento de comunicação política. Sem ele, você corre o risco de falar muito e não ser ouvido por ninguém, ou pior, ser mal interpretado.
Para que sua mensagem chegue com clareza e gere o impacto desejado, é preciso definir pilares estratégicos que vão sustentar toda a sua atuação. Não se trata apenas de “o que postar hoje”, mas de saber exatamente onde você quer chegar lá na frente. O marketing político eficiente não trabalha com improviso, ele trabalha com método e intencionalidade. É essa base que diferencia quem constrói uma reputação sólida de quem apenas faz barulho nas redes sociais.
Se você quer ser levado a sério e conquistar a confiança das pessoas, precisa ter clareza sobre quem você é, com quem fala e o que defende. Vamos conversar sobre os pontos inegociáveis que todo político precisa definir antes de começar a comunicar de fato.
Defina sua narrativa e posicionamento político
A primeira pergunta que você deve responder olhando no espelho é: qual é a sua história? A narrativa política é o fio condutor que vai dar sentido a todas as suas ações. Ela precisa explicar, de forma simples e emocionante, por que você é a pessoa certa para ocupar aquele espaço.
Junto com a narrativa vem o posicionamento. Tentar ser o “candidato de todos” é o caminho mais rápido para não ser o candidato de ninguém. Você precisa definir seu território, seja ele geográfico ou temático. Você é o defensor da saúde? Da educação? Do empreendedorismo? Ter um posicionamento claro ajuda o eleitor a te rotular da maneira correta. Lembre-se: em política, quem não se define é definido pelos adversários.
Escolha seus públicos prioritários
Um erro clássico na estratégia de comunicação é achar que você deve falar com todo mundo o tempo todo. Isso é desperdício de energia e recursos. Você precisa segmentar. Quem são as pessoas que mais se identificam com as suas bandeiras? Onde elas moram? Qual a faixa etária?
Vou dar um exemplo prático: se a sua pauta é a defesa dos animais, não adianta gastar sua munição falando sobre reforma tributária para um público que não tem interesse nisso. Fale com quem quer te ouvir. Mapeie seus grupos de interesse, lideranças locais e formadores de opinião. Quando você ajusta a mira, sua comunicação se torna muito mais assertiva.
Entenda as dores reais das pessoas
O político muitas vezes vive numa bolha e acha que o que é importante para o mandato é importante para a população. Nem sempre. Antes de comunicar, você precisa saber o que tira o sono do seu público. É a falta de vaga na creche? É o buraco na rua? É a segurança?
Sua comunicação deve ser uma resposta a essas dores. As pessoas não querem saber o número do projeto de lei que você protocolou; elas querem saber como isso vai mudar a vida delas na prática. A conexão emocional acontece quando o eleitor percebe que você entende o problema dele e tem a solução.
Selecione os canais de comunicação adequados
Não caia na tentação de estar em todas as redes sociais só porque “está na moda”. O TikTok funciona para o seu perfil? Seu público está no Facebook ou no Instagram? Você tem braço para manter o YouTube atualizado?
É melhor ter dois canais muito bem alimentados e com interação real do que cinco canais abandonados. A consistência é chave no marketing político digital. Defina onde a conversa vai acontecer e foque sua energia ali. Além disso, não esqueça do offline e do WhatsApp, que continuam sendo ferramentas poderosíssimas de mobilização.
Estabeleça o objetivo de reputação
Por fim, você precisa saber como quer ser lembrado. Reputação é diferente de popularidade. Popularidade é ser conhecido; reputação é ser respeitado. O que você quer que as pessoas digam sobre você quando não estiver na sala?
Se o seu objetivo é ser visto como um gestor técnico e sério, não adianta fazer dancinha constrangedora na internet. Cada peça de comunicação deve ser um tijolo na construção dessa imagem. Se você não definir esse objetivo de reputação agora, sua comunicação vai ficar esquizofrênica, atirando para todos os lados sem construir autoridade.
Resumo e próximos passos
Para fechar nossa conversa, lembre-se que comunicação não é mágica, é processo. Antes de sair postando, garanta que você já tem as respostas para os pontos que levantamos:
- Defina sua narrativa e não tente abraçar o mundo.
- Segmente seu público e fale com quem te ouve.
- Conecte suas bandeiras às dores reais das pessoas.
- Escolha canais que você consiga manter com qualidade.
- Tenha clareza da reputação que deseja construir.
Se você fizer esse dever de casa, sua vida vai ficar muito mais fácil lá na frente e sua comunicação será muito mais efetiva. Agora, se você quer se aprofundar de verdade e aprender o passo a passo de como estruturar uma campanha vitoriosa, eu recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá a gente mergulha fundo nessas estratégias.
Um grande abraço e bom trabalho!




