Vamos falar de um problema sério que eu vejo acontecer todo dia em comitês e gabinetes pelo Brasil afora? Na assessoria política, existe uma linha muito tênue entre a experiência de vida do candidato e a teimosia em ignorar a técnica. Um dos equívocos mais recorrentes e perigosos que encontro nas minhas consultorias é a substituição de dados concretos pela intuição pura e simples. É o que eu chamo de “erro do achismo”. Quando um profissional de comunicação política ou um político decide os rumos de uma estratégia baseada apenas no que ele “sente”, no que ouviu na padaria ou no que a família disse no almoço de domingo, o risco de o projeto naufragar aumenta drasticamente.
É fundamental compreender que uma campanha eleitoral ou a comunicação de um mandato legislativo não são laboratórios para testes cegos. O marketing político evoluiu muito nas últimas décadas e hoje exige método científico, pesquisa e análise de cenário. Profissionais que atuam na divulgação de governos ou na construção de pré-candidaturas precisam aprender a separar o gosto pessoal da eficácia técnica. O que você gosta de postar nem sempre é o que o eleitor precisa ler ou assistir. O achismo é o inimigo número um do planejamento sério.
Neste artigo, vamos conversar francamente sobre como esse comportamento amador pode destruir reputações e jogar dinheiro fora. Vou mostrar para você como desmontar essa lógica do improviso e por que a profissionalização, baseada em dados e não em palpites, é a única vacina contra o desperdício de recursos e a derrota nas urnas. Se você quer ser levado a sério no mercado político, precisa parar de “achar” e começar a “saber”.
Por que a intuição falha na estratégia política
Muitas vezes, na ânsia de conquistar o eleitor logo de cara, vejo gente pulando etapas fundamentais da construção de narrativa. O sujeito quer ir direto ao ponto, mas usa o conteúdo errado na hora errada. O “achismo” leva a crer que basta falar de si mesmo, das obras que fez ou das qualidades que a mãe dele diz que ele tem, e o eleitor vai magicamente se encantar. Não é assim que a banda toca. A comunicação precisa resolver as dores das pessoas, não massagear o ego do candidato.
Quando a estratégia é baseada no “eu acho que vai ser bom”, geralmente ignoramos o que as pesquisas dizem. Já vi campanhas gastarem rios de dinheiro em materiais impressos sobre temas que a população nem considerava prioritários, só porque o candidato “achava” que aquele era o seu ponto forte. Sem dados, você está navegando no escuro, e em política, quem não sabe para onde vai, geralmente não chega a lugar nenhum.
A armadilha das redes sociais
Aqui é onde o “achismo” faz a festa e o estrago é maior. Tem muito político e assessor que trata as redes sociais como se fossem um mural de avisos ou, pior, um palco de stand-up comedy sem graça. Pensa comigo: as redes sociais são como salões de festa. Você chega numa festa falando só de você, dos seus problemas e das suas vantagens? Não, né? Você interage, ouve, conversa. O achismo faz com que a comunicação institucional invada ambientes de relacionamento com uma linguagem chata e burocrática.
Outro ponto clássico do achismo digital é a obsessão por memes e dancinhas fora de contexto. Às vezes, na tentativa de parecer jovem e conectado, um político tradicional acaba parecendo aquele “tio do pavê” tentando andar de skate. Fica forçado, gera vergonha alheia e afasta o eleitor que busca seriedade. O profissional de marketing político precisa entender que cada plataforma tem sua linguagem, e nem tudo que viraliza serve para construir autoridade política.
A ilusão da bolha e dos puxa-sacos
O achismo quase sempre é alimentado por quem está perto demais. Sabe aquela equipe que só fala o que o chefe quer ouvir? Pois é. Eles validam ideias ruins com frases do tipo “Vai ser um sucesso, deputado!”. Isso cria uma bolha. O político acha que está abalando porque o grupo de WhatsApp da campanha está elogiando, mas lá fora, na vida real, ninguém está entendendo nada ou, pior, ninguém se importa.
Para fugir dessa armadilha, você precisa de frieza e profissionalismo. É necessário ter gente na equipe com coragem para dizer “isso não vai funcionar” baseando-se em técnica e histórico, não em opinião pessoal. A assessoria política qualificada serve justamente para furar essa bolha e trazer a realidade das ruas (e das redes) para dentro da mesa de decisão.
Profissionalização: o antídoto contra o erro
Não existe espaço para amadorismo. O Brasil tem muitas oportunidades no mercado da comunicação política, mas faltam profissionais que saibam, de fato, como fazer a engrenagem girar. O bom uso do marketing exige conhecimento de legislação eleitoral, psicologia social, tráfego pago e gestão de crises. Não dá para entregar a comunicação da prefeitura ou da campanha na mão do “sobrinho que mexe na internet” só porque ele cobra barato.
O planejamento estratégico deve substituir a improvisação. Isso significa ter um cronograma, definir personas, ter clareza da narrativa e monitorar resultados constantemente. O “eu acho” deve ser substituído pelo “os dados mostram”. É essa mudança de mentalidade que separa os vitoriosos dos aventureiros.
O que você precisa levar deste artigo
Para a gente fechar essa conversa, quero que você guarde os seguintes pontos para não cair no erro do achismo:
- Dados superam opiniões: Nunca tome decisões estratégicas baseadas apenas no seu “feeling”. Use pesquisas.
- Rede social é relacionamento: Pare de usar o Instagram apenas como mural de obras. Converse com as pessoas.
- Cuidado com a bolha: Desconfie se todos à sua volta concordam com tudo. Busque opiniões técnicas e isentas.
- Planejamento é tudo: Uma campanha ou mandato precisa de norte, narrativa e cronograma. Não improvise.
Em resumo, o achismo na assessoria política é o caminho mais curto para o fracasso porque ignora a necessidade de preparo. Não é no chute que se ganha eleição, mas com estratégia e um time capacitado. E essa preparação começa agora, bem antes do período eleitoral.
Se você quer aprender a fazer isso do jeito certo, com método validado e sem “achar” nada, eu recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá a gente ensina como construir uma campanha vencedora do zero, com base técnica e muita prática. Dá uma olhada em imersaoeleicoes.com.br.
Um grande abraço e até a próxima!




