Quando falamos de branding político, é muito comum que pré-candidatos e até mesmo mandatários experientes acreditem que a percepção pública sobre eles é obra do acaso ou de uma “estrela” que brilha mais forte. Vamos ser sinceros: na comunicação política, não existe sorte. O que existe é uma estratégia deliberada de construção de imagem, pautada em consistência e verdade. A forma como as pessoas enxergam um político é o resultado direto do que ele emite, de como ele se comporta e, principalmente, da coerência entre o que ele diz e o que ele faz.
Um dos maiores erros na gestão de reputação é tratar a imagem pública como algo que se resolve com uma logomarca bonita ou um jingle chiclete. O branding político vai muito além da identidade visual; ele trata da essência, dos valores e da narrativa que você apresenta ao eleitor. Se você não cuidar dessa construção passo a passo, o vácuo de informação será preenchido pelos seus adversários ou por boatos, e aí, meu caro, retomar o controle da narrativa é muito mais difícil e caro.
A imagem política é como a construção de uma casa
Gosto sempre de usar uma analogia para facilitar o entendimento: pense na sua imagem pública como a construção de uma casa. Você não começa pelo telhado, certo? Primeiro, você precisa de um terreno sólido (sua história) e de um projeto bem definido (sua estratégia). No branding político, pular etapas na tentativa de ganhar visibilidade rápida é como tentar colocar as janelas antes de subir as paredes.
Muitos profissionais de comunicação e políticos ansiosos tentam “viralizar” a qualquer custo, criando personagens que não se sustentam na vida real. A casa cai. Para que a construção seja sólida, cada tijolo — que representa cada post, cada discurso, cada atitude — deve estar alinhado com o projeto original. Se você é um candidato sério, técnico, não adianta tentar fazer dancinha no TikTok achando que isso vai atrair o jovem. Isso gera ruído, confunde o eleitor e enfraquece sua autoridade.
Reputação versus popularidade: entenda a diferença
É fundamental que você entenda que ser conhecido é diferente de ser respeitado. A popularidade é sobre quantas pessoas sabem quem você é; a reputação, pilar central do branding político, é sobre o que essas pessoas pensam e sentem a seu respeito. O “candidato Copa do Mundo”, aquele que só aparece de quatro em quatro anos pedindo voto, pode até ser popular no bairro, mas ele tem reputação de oportunista.
A construção de imagem exige presença constante. As redes sociais são ambientes de relacionamento, como um clube ou um bar. Você não chega nesses lugares gritando suas qualidades ou pedindo favores o tempo todo. Você conversa, ouve, interage. A reputação se constrói na constância desse relacionamento e na entrega de conteúdo útil para as pessoas, e não apenas em propaganda eleitoral disfarçada.
O perigo da inconsistência na narrativa
Nada destrói mais rápido um trabalho de branding político do que a inconsistência. O eleitor de hoje está vacinado e possui ferramentas de busca na palma da mão. Se você diz que defende a economia de recursos públicos, mas sua primeira ação é aumentar o próprio salário ou gastar verba de gabinete de forma desregrada, sua imagem desmorona. A coerência é a cola que mantém sua construção de pé.
A narrativa deve ser linear. Isso não significa ser monótono, mas sim manter uma linha mestra de conduta e discurso. Se você muda de opinião conforme o vento ou tenta agradar a todos os públicos, acaba não agradando ninguém e, pior, passa a imagem de alguém sem personalidade ou convicções. Política é posicionamento. Quem não se posiciona, é posicionado pelos outros.
Passos práticos para fortalecer seu branding
Para que você não dependa da sorte, aqui estão alguns pontos de atenção que você deve levar para sua equipe de comunicação agora mesmo:
- Defina sua persona: Quem é você na fila do pão? Qual é o seu arquétipo? O herói, o cuidador, o governante? Tenha isso claro.
- Conheça seu território: Não tente falar com todo mundo. Fale com quem se identifica com seus valores.
- Tenha constância: Não suma. A internet não perdoa ausência e o algoritmo pune quem não tem frequência.
- Seja autêntico: Não tente fabricar um personagem. As pessoas farejam falsidade de longe. A melhor estratégia é ser uma versão melhorada e polida de quem você já é.
Conclusão: a sorte favorece a mente preparada
Em resumo, pare de esperar que uma onda mágica leve você ou seu assessorado à vitória. O branding político é um trabalho de engenharia, de colocar tijolo por tijolo todos os dias. Envolve pesquisa, monitoramento, produção de conteúdo de qualidade e, acima de tudo, verdade. Quando a imagem é bem construída, ela resiste a crises e cria uma conexão emocional duradoura com o eleitor.
Se você quer se aprofundar de verdade em como estruturar uma campanha vencedora e entender todas as etapas dessa construção, eu recomendo fortemente que você conheça o curso Imersão Eleições. Lá, nós dissecamos essas estratégias com profundidade para preparar você para o jogo real da política.




