10 coisas que todo eleito deveria saber

Meu nome é Marcelo Vitorino. Eu sou consultor e professor de comunicação e marketing político. Hoje eu quero falar com você que acabou de assumir um cargo eletivo.

Tem algumas coisas que eu acho muito importante e você deveria saber:

Não deixe para trabalhar somente em 2022

A sua próxima eleição ela começa no dia seguinte à sua posse. Quanto mais tempo você trabalhar no intuito de se comunicar melhor com o eleitor, seu público e seu segmento, mais fácil será em 2022. O que eu quero é alertar você pra que não aconteça o que eu já vi acontecer com muitos políticos que não conseguiram se reeleger.

Você tem que começar a sua comunicação de forma profissional desde o primeiro dia do seu mandato. Assim que você assumir e entrar no seu gabinete já começar a tocar de lá. Mostre para as pessoas que você está assumindo, quais são suas expectativas, mostre ao time que vai trabalhar como é que você vai pautar a sua atividade parlamentar pelos próximos quatro anos.  Dessa forma vai ficar muito mais fácil depois de você simplesmente relembrar as pessoas que você o candidato que atende às necessidades dos seus leitores.

Likes não são tão relevantes assim

Acompanho campanhas eleitorais há muitos anos, já fiz campanha em todos os pleitos, em todas as esferas, municipal, estadual e federal. O que eu posso te afirmar, categoricamente, é que os likes não tem relação direta com os votos e nem com a imagem pública que fazem a seu respeito. Não se escravize por isso!

Senão, sabe o que vai que vai acontecer? Você vai ser um político vai ficar só publicando foto de família, uma foto engraçadinha ou uma frase motivacional e depois, na hora que você realmente precisa de uma rede social que tenha sinergia com as suas pautas, não vai ter. Você vai ter formado uma rede social com uma energia uma imagem que não tem a ver com o seu trabalho, mas sim uma fábrica de likes.

Faça aquilo que você tem que fazer, mesmo que não dê muito like, isso não é relevante. Aposte no conteúdo que é muito melhor!

As redes sociais não são feitas para falar o que quiser

As redes sociais na maioria das vezes são mal interpretadas pela classe política. Por que? Os políticos, via de regra, acreditam que as redes sociais são ferramentas que são utilizadas para você falar o que você quer. Isso não é bem uma realidade.

Redes sociais são ferramentas para relacionamento e um relacionamento pressupõe que você não só vai falar alguma coisa, mas que você também vai escutar alguma coisa. Você tem que estar pronto para escutar e pra falar na medida certa, sem tratar alguém que está mais exaltado mal, sem também acabar tendo que atender um pedido que é um pedido não republicano, porque as pessoas fazem e é muito comum.

É muito comum que a sua caixa de mensagem privada fique repleta de pedidos que vão desde passagem aérea à cadeira de rodas. Você não precisa se sentir compelido a atender esse tipo de pedido você é um parlamentar. Você não é um patrono de ninguém. Então, o que cabe fazer nessas horas? Ignorar? Não. Cabe falar que você não pode atender, mas tem que ter um relacionamento isso vai mudar a forma com que você usa a parte de redes sociais.

Se você só usar a rede social para falar, sabe o que vai acontecer? As pessoas vão deixar de seguir sua rede social.

Então vai ser um trabalho que não vai servir para muita coisa, você vai ficar falando e ninguém vai querer conversar com você. Recomendo que você aloque uma pessoa pra fazer a gestão de resposta pra você. Todo mundo que for e fizer um comentário  em uma publicação, que algum profissional da sua equipe de um tratamento, responda o comentário, com um vídeo para uma lista de transmissão do gabinete. Ou seja, tem uma série de coisas que podem tornar a sua figura mais simpática na rede social e isso vai lhe render bons frutos no futuro. Antes que eu me esqueça, também é importante separar as redes sociais.

O Facebook, que serve ali para vídeos até mais longos, mas eles têm uma pegada mais entretenimento no relacionamento. O Instagram serve para os bastidores. Então vai ter uma votação? O lugar certo é o Instagram. Você faz um storie, tira uma foto ali na mesa, você tira uma foto da votação, você mesmo faz uma selfie, é uma coisa bacana pra Instagram. O Twitter, que tem um tom muito mais jornalístico, em que você coloca chamada, e aí pode usar uma foto linkar para um texto no seu site. E tem também o YouTube, que não é bem uma rede social mas as pessoas usam como. O YouTube é o segundo maior mecanismo de busca no mundo.

Big Data

Provavelmente você já deve ter ouvido falar de big data nesses últimos meses, de verdade, ninguém fez big data. Porque pra você fazer big data demanda que você tenha um banco de dados repleto de informações de pessoas que você deve se relacionar pra melhorar sua comunicação. Nos Estados Unidos teve um problema com a Cambridge Analytica e com o Facebook. A Cambridge Analytica usou dados que eram do Facebook e fez um uso desses dados sem as pessoas que cederam os dados autorizarem. Aí deu todo aquele rolo nos Estados Unidos. Aqui no Brasil não tem nenhuma empresa que tem um big data. Até porque a lei proíbe que candidatos usem bancos de dados que são alheios a ele. Ou seja, nem se eu ganhasse um banco de dados eu poderia utilizar. Você que está começando o mandato agora, tem a chance de fazer um big data e isso deve ser feito a partir do seu gabinete, com cada pessoa que entrar, que foi perguntar alguma coisa, que seja para pedir um projeto.

Quanto maior o volume de dados que você tiver a respeito das pessoas que vão se relacionar com você, que vão pedir coisas, que vão sugerir pautas, melhor vai ser a sua vida nos próximos anos. O big data começa a partir do seu gabinete. Tenha isso em mente e peça para a secretária que a cada pessoa que passar por ali ela pegar um cartão, anotar quem é, do que tratou o assunto, de onde a pessoa veio, se ela vem indicada por alguém… Para que amanhã você possa fazer uso dessas informações para se relacionar e para informar as pessoas em seu mandato.

Não abra mão de um time técnico

Uma outra coisa que você não pode abrir mão, é a de ter um time técnico especialista em comunicação à sua disposição.

Porque não adianta você ser um parlamentar fantástico, um político com muitas pautas, com emenda, com uma atuação brilhante, se você não souber comunicar os seus atos. E comunicação não é o que a gente fala, comunicação é o que as pessoas entendem do que a gente falou.

Pra isso, você vai ter que contar com uma equipe técnica, então minimamente, no seu gabinete, tem que ter uma pessoa que cuida de redes sociais, que faz a alimentação. Uma pessoa que vai fazer a parte de design, que pode até fazer uma parte da edição de vídeo e você pode contratar um fotógrafo ou até um cinegrafista para reproduzir as imagens para que você tenha um aparato. Você tem que ter agilidade na hora de formatar o seu conteúdo e distribuir nos canais, seja rede social, seja WhatsApp ou até mandando release para os veículos da sua região. Não abra mão de ter um um time técnico porque isso vai custar caro. É melhor ter  3, 4 pessoas que vão fazer essa informação chegar o eleitor do que depois ter que ficar correndo atrás do eleitorado, ficando na mão de um interlocutor, de um influenciador.

Se posicione

Uma coisa que muito político ainda tem dúvida que é referente ao posicionamento de pautas polêmicas. A maioria das vezes o político fala: “bom, se eu me posicionar na pauta polêmica em favor de A, B vai ficar com raiva. Se empolgar com o B, A vai ficar com raiva” Aí, sabe o que acontece? Ele acaba não falando nada, e se você não falar nada, você está perdendo uma oportunidade enorme de se vincular a uma pauta, de se vincular ao público.

Eu sei que às vezes pode parecer estranho, porque “nossa! mas vou desagradar um ou outro”. Eu sei que vai desagradar, isso acontece. Política não é a arte de agradar todo mundo, a política é a arte de conciliar as divergências. É muito mais fácil você ter um posicionamento que as pessoas amanhã lhe reconheçam por esse posicionamento, do que ser um político que ninguém sabe direito o que faz. Lembrando que o político é o representante do eleitorado. O eleitorado quer ver no político a defesa das suas pautas. Você não pode fugir delas.

Relativizar comentários em redes sociais

Você deve relativizar os comentários, tanto negativo, quanto positivo, que deixam as suas redes sociais. A cada passo que você der rumo à alguma coisa, a algum projeto, você vai agradar um pessoal e desagradar outro. Geralmente o pessoal desagradado acaba sendo muito mais ruidoso do que aqueles que foram agradados pelo seu projeto. Você tem que relativizar. Às vezes foi um projeto que vai beneficiar um determinado grupo, um sindicato… E os trabalhadores de outro sindicato podem ficar mais apreensivos e até um pouco agressivo com você, com isso você deve relativizar. Não leve a questão dos comentários a ferro e fogo.

Defina marcos para seu mandato

Você tem quatro anos pela frente, você começa a história de trás pra frente. Nesses quatro anos, quando eles terminarem, como é que você quer ser reconhecido, como é que você quer ser julgado pelo eleitor? Por quais pautas, por quais posicionamentos, por quais valores morais? A questão vai ser se você vai apresentar muita emenda, a questão é se você vai aprensentar muitos projetos, se você vai fazer defesa de pauta. Defina os marcos que serão defensáveis no seu mandato. Faça isso, primeiro de trás pra frente, com a imagem alvo. Quando chegar no final dos quatro anos é essa fotografia que eu quero ver. Então você vai fragmentando isso ano a ano, depois, trimestre a trimestre. Assim vai ficar muito mais fácil chegar no final do desta jornada com você bem posicionado junto ao seu eleitorado.

Ignore soluções milagrosas

A última coisa que eu não podia deixar faltar. Eu quero que pedir um ponto de atenção, quero que, por favor, você ignore as soluções milagrosas. Porque dentro da comunicação, não existe milagre. Na comunicação tem aquela pessoa bacana que ela vai te vender um banco de dados, que vai te vender um jeito de você ganhar fãs… Esse tipo de coisa não funciona! Então você deve abandonar qualquer ideia milagreira.

“Eu tenho aqui uma solução mágica que vai resolver o seu problema!”. Acredite, não é a solução e não é mágica. É simplesmente alguém tentando fazer dinheiro às suas custas. Na comunicação, se você tiver um time bom, se você definir os seus marcos, você define uma linguagem adequada, você tem canais de comunicação, montou um big data, você tem ali um rumo estratégico para a sua atividade, nada vai dar errado. Só que isso é trabalhoso, isso leva tempo. Mesmo assim, é a forma mais segura de você chegar até o final deste mandato satisfeito com o resultado, independente até de uma votação ou não. Você vai ficar satisfeito com aquilo que você entregou e as pessoas que votaram em você também vão ficar satisfeitas.

Marcelo Vitorino

Marcelo Vitorino

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Professor na ESPM e consultor de comunicação e marketing digital, Marcelo Vitorino reúne experiência no marketing corporativo, eleitoral, institucional e político

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